Calor e chuvas intensas aceleram a proliferação do Aedes aegypti; infectologista e gestor ambiental orientam sobre sintomas, riscos da automedicação e cuidados domésticos.
O Brasil enfrentou um cenário alarmante no combate à dengue em 2025. Dados do Ministério da Saúde indicaram que somente nos primeiros três meses do ano, o país ultrapassou a marca de 840 mil casos registrados, acompanhados por óbitos e pela circulação ativa do vírus em diversas regiões. O aumento expressivo coincide com o verão, período onde as altas temperaturas e as chuvas frequentes criam o ambiente ideal para a reprodução do mosquito Aedes aegypti.
De acordo com a infectologista Tassiana Galvão, da Santa Casa de São Roque — unidade gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”) em parceria com a Prefeitura local —, o clima é o principal catalisador do surto. “O excesso de chuvas aumenta a quantidade de focos de reprodução e as temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento do mosquito, o que resulta em maior circulação do vírus e mais casos”, explica a médica.
Diagnóstico: Como diferenciar de uma gripe?
Um dos grandes desafios durante as epidemias de dengue é a semelhança dos sintomas iniciais com outras viroses, como a gripe ou a Covid-19. No entanto, a Dra. Tassiana aponta distinções importantes:
- Dengue: Febre alta, dores intensas no corpo e nas articulações, dor de cabeça e mal-estar profundo.
- Infecções Respiratórias: Geralmente acompanhadas de tosse, coriza e dor de garganta.
A especialista alerta que existem quatro sorotipos do vírus (DENV-1 a 4). “O que muda é a gravidade, principalmente em pessoas que já tiveram a doença por outro sorotipo”, afirma. Nestes casos, o risco de complicações — como queda de pressão, dor abdominal persistente e sangramentos — é significativamente maior.
Sinais de alerta e o perigo da automedicação
A orientação médica é clara: ao surgirem sintomas, a busca por avaliação profissional deve ser imediata. Grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, exigem monitoramento redobrado.
Um ponto crítico reforçado pela Dra. Tassiana é a proibição da automedicação. O uso de anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico (Aspirina) deve ser evitado, pois essas substâncias aumentam o risco de hemorragias. A hidratação rigorosa continua sendo o tratamento fundamental para evitar o agravamento do quadro.
O inimigo mora em casa: Ações de prevenção
Enquanto a medicina cuida do diagnóstico, a prevenção acontece no dia a dia. O CEJAM Ambiental, em articulação com o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) da Prefeitura de São Paulo, tem intensificado visitas domiciliares para identificar focos negligenciados.
Bruno Saito, gestor ambiental do CEJAM, revela que a maioria dos criadouros ainda é encontrada dentro das residências. Entre os erros mais comuns estão:
- Trocar a água dos vasos de plantas sem lavar o recipiente (o que mantém ovos e larvas nas paredes do vaso).
- Caixas d’água com tampas danificadas ou improvisadas.
- Acúmulo de água em pratos de plantas, ralos pouco usados, bandejas de geladeira e ar-condicionado.
“A orientação é adaptada à realidade de cada território”, explica Saito. As equipes utilizam a plataforma municipal “Todos contra a dengue” para registrar e monitorar os focos. “Cada recipiente eliminado e cada quintal limpo fazem diferença para reduzir novos casos. A prevenção está em nossas mãos”, finaliza o gestor.
Dicas rápidas de prevenção:
- Vede tudo: Mantenha caixas-d’água e tonéis hermeticamente fechados.
- Higiene: Lave com escova a parte interna de potes de água de animais e vasos de plantas.
- Atenção aos detalhes: Verifique calhas, bandejas de ar-condicionado e pneus.
- Descarte correto: Não jogue lixo em terrenos baldios e mantenha lixeiras fechadas.
Por Redação – Fonte Maquina


