Uma jornada de 8 mil quilômetros que cruzou desertos, altitudes de 5 mil metros e provou que a coragem não tem gênero.
No próximo dia 8 de março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Para marcar a data, vale a pena contar a aventura de cinco mulheres para quem o impossível é apenas um ponto de partida. O que para muitos seria um desafio intransponível, para Elizete Siqueira, Melyssa Vaz, Patrícia Miranda, Patrícia Moretto e Silmara Opalenski tornou-se um rito de passagem. O grupo de cinco amigas, naturais de Capão Bonito (SP), retornou recentemente de uma expedição épica: uma travessia de mais de 8.000 quilômetros pelas estradas da Argentina e do Chile.
A bordo de motocicletas, elas enfrentaram o frio rigoroso, o ar rarefeito das cordilheiras e a imensidão do deserto do Atacama. Mas engana-se quem pensa que elas eram meras coadjuvantes na jornada.
Resistência a 5 mil metros de altitude

O roteiro percorrido é um dos mais emblemáticos e exigentes da América do Sul, impressiona até motociclistas experientes. A expedição passou por Posadas, Corrientes, Resistencia, Córdoba e Mendoza, na Argentina; cruzou a Cordilheira dos Andes rumo a Santiago, seguiu pelo norte chileno — Copiapó, Antofagasta, Calama e San Pedro do Atacama — e retornou pela região de Jujuy, Salta, Cafayate, Tafí del Valle, além de Termas de Río Hondo e Presidencia Roque Sáenz Peña. No trajeto, o corpo foi testado ao limite: em certos pontos, a altitude atingiu os 5.000 metros acima do nível do mar.
“O ar fica escasso, o vento corta e o clima oscila entre o calor escaldante do deserto e o frio intenso das montanhas”, relata o grupo. Além do preparo físico, a viagem exigiu um equilíbrio emocional inabalável e um forte espírito coletivo. Foram dias de logística rigorosa, cuidados com equipamentos e atenção constante a cada curva da estrada.
Quebrando Estereótipos


Em um universo ainda visto por muitos como predominantemente masculino, a presença das cinco mulheres de Capão Bonito em uma aventura desta magnitude desafia preconceitos. Elas não apenas ocuparam o espaço na estrada; elas protagonizaram cada quilômetro.
A viagem, entretanto, ofereceu recompensas na mesma medida dos desafios. O grupo descreve momentos de profunda conexão com a natureza, como o silêncio absoluto das planícies desérticas, o céu azul infinito de San Pedro de Atacama e a imponência milenar dos Andes. Para elas, a sensação de liberdade sobre duas rodas é algo que palavras dificilmente podem descrever.
Um retorno transformador
Ao cruzar a fronteira de volta para casa, Elizete, Melyssa, as duas Patrícias e Silmara trouxeram muito mais do que fotografias na bagagem. Trouxeram uma nova consciência de si mesmas.
“Quem volta de uma viagem como essa não é a mesma pessoa que partiu”, definem. A jornada serviu como prova de que limites pessoais existem para serem superados. Hoje, elas carregam histórias de companheirismo, superação e, acima de tudo, orgulho.
A aventura destas cinco mulheres deixa um recado claro para a comunidade e para o mundo do motociclismo: a aventura não escolhe idade, nem gênero; ela escolhe quem tem a decisão de partir. Elas foram, venceram e voltaram — mais fortes, mais livres e absolutamente destemidas.
Um ponto fundamental desta jornada foi a presença dos seus maridos, que também integraram a rota da viagem. Longe de ser apenas uma companhia, eles foram testemunhas oculares do empenho de suas esposas, manifestando um profundo orgulho pela postura resiliente que elas demonstraram.
Para estas mulheres, o conceito de “obstáculo” é ressignificado. O que poderia ser um impedimento torna-se uma oportunidade para exercer o espírito de capacidade mútua. Essa sinergia entre o casal e a força individual feminina provam que, quando há propósito e apoio, a meta deixa de ser um destino e passa a ser uma conquista compartilhada.



