Tributarista do Granito Boneli Advogados explica como identificar oportunidades legais de economia antes do fim do ano
O início do segundo semestre representa uma oportunidade estratégica para as empresas reavaliarem seu planejamento tributário. Com um panorama mais preciso sobre faturamento, despesas e resultados alcançados ao longo dos primeiros seis meses do ano, é possível identificar oportunidades de economia, corrigir distorções na apuração de impostos e adotar medidas capazes de melhorar o desempenho financeiro até o encerramento do exercício.
Diferentemente do planejamento realizado no início do ano, quando as decisões são tomadas com base em projeções, a revisão de meio de ano considera dados concretos da operação, como faturamento, margem de lucro, despesas, folha de pagamento, créditos tributários e eventuais mudanças no modelo de negócio. Isso permite identificar inconsistências, aperfeiçoar procedimentos e garantir que a empresa recolha apenas os tributos efetivamente previstos pela legislação.


Entre as medidas que podem gerar economia estão a revisão da classificação fiscal de produtos, o aproveitamento de créditos tributários, a recuperação de tributos pagos indevidamente ou em valor superior ao devido, a análise de benefícios fiscais disponíveis e a correção de procedimentos relacionados à apuração dos impostos.
Embora a alteração do regime tributário, como Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional, normalmente só possa ser realizada no início de cada ano-calendário, isso não impede a adoção de medidas capazes de reduzir a carga tributária ainda no exercício vigente. “Mesmo sem mudar de regime, é possível revisar apurações, recuperar créditos, corrigir procedimentos fiscais e aprimorar processos internos. Além de gerar economia imediata, essas ações permitem que a empresa chegue ao próximo ano mais preparada para escolher o regime tributário mais vantajoso”, explica Eduardo Galvão.
O advogado ressalta que planejamento tributário não significa buscar o menor pagamento de impostos a qualquer custo, mas assegurar o correto cumprimento da legislação. “Trata-se de uma prática legítima, baseada em análise técnica e no respeito às normas fiscais. O problema surge quando são adotadas estratégias sem respaldo legal, que podem resultar em autuações, multas e outros prejuízos”, alerta.
Alguns indícios de que uma empresa pode estar recolhendo tributos acima do necessário incluem o aumento da carga tributária sem crescimento proporcional do faturamento, o não aproveitamento de créditos fiscais, retenções não compensadas e divergências entre as informações fiscais e contábeis.
Para Eduardo Galvão, quanto antes essa avaliação for realizada, maiores serão as possibilidades de identificar oportunidades de economia e corrigir falhas antes do fechamento do exercício. “Antecipar essa análise permite reduzir custos com segurança, aperfeiçoar processos e construir um planejamento tributário mais eficiente para o próximo ano. Mais do que uma medida pontual, essa revisão deve integrar a estratégia permanente de gestão financeira e tributária das empresas”, conclui.


