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Divulgação CNPEM

Acordo entre Brasil e CERN, com participação do CNPEM, promove colaboração do país com maior centro de física de partículas do mundo 


Primeiros resultados de parceria mostram avanços para a indústria brasileira de alta tecnologia e a ampliação da presença do país...

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Primeiros resultados de parceria mostram avanços para a indústria brasileira de alta tecnologia e a ampliação da presença do país em projetos científicos internacionais

Uma parceria entre o CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) e o CERN — maior laboratório de física de partículas do mundo, na fronteira entre França e Suíça — começa a render resultados que podem fortalecer a ciência brasileira, ampliar a competitividade da indústria nacional e formar profissionais altamente qualificados em áreas estratégicas. Os primeiros avanços da colaboração foram apresentados ontem (30), em Campinas (SP), destacando a participação de pesquisadores brasileiros em projetos desenvolvidos na mega infraestrutura que abriga o acelerador de partículas mundialmente conhecido pelas pesquisas sobre o bóson de Higgs, popularmente chamado de “partícula de Deus”.

Participaram da reunião de trabalho representantes das duas instituições e de órgãos governamentais.

Desde que o Brasil se tornou Estado-Membro Associado do CERN, em 2024, empresas brasileiras passaram a disputar contratos para fornecer equipamentos e serviços de alta tecnologia ao laboratório europeu, enquanto pesquisadores, engenheiros, estudantes e outros profissionais passaram a ter acesso ampliado a programas de formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

O CNPEM, responsável pela construção e operação do Sirius, uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo, atua como um dos principais articuladores dessa aproximação entre o ecossistema brasileiro de inovação e o CERN, promovendo a conexão entre ciência de fronteira, centros de pesquisa e setor produtivo. O CERN é referência mundial e abriga o Grande Colisor de Hádrons (LHC), com 27Km de extensão, o maior e mais potente acelerador de partículas já construído. Entre as principais linhas de pesquisa, está o bóson de Higgs, previsto pela teoria física na década de 1960 e descoberto experimentalmente pelo CERN. Trata-se de uma partícula que vai ajudar os cientistas a entenderem melhor como a matéria é formada.

Mercado internacional

Os primeiros resultados da parceria entre o CNPEM e o CERN já demonstram o potencial desse trabalho em colaboração. Até julho de 2026, empresas brasileiras conquistaram dois contratos internacionais junto ao CERN e apresentaram seis propostas que atenderam integralmente às exigências técnicas da organização, sem nenhuma desclassificação por critérios tecnológicos.

Entre os contratos firmados, estão a modernização de motores elétricos, vencida pela WEG, e o fornecimento da estrutura mecânica do ímã BOND, pela FCA Brasil, empresas que desenvolvem e fornecem equipamentos ao CNPEM. A WEG desenvolveu ímãs para aceleradores do Sirius e a FCA nasceu junto ao primeiro síncrotron (UVX), sendo a única empresa do Brasil capaz de produzir componentes aptos a operar em Ultra-Alto-Vácuo (UHV). A fabricante ROMI também figurou entre as empresas mais bem classificadas em uma concorrência internacional para fornecimento de máquinas CNC.

Os números relativos a concorrências internacionais revelam que as empresas brasileiras são altamente competitivas em licitações: todas as seis propostas apresentadas até o momento foram consideradas tecnicamente aptas e duas venceram as concorrências.

O principal desafio identificado não está na capacidade tecnológica, mas em ampliar o engajamento da indústria nacional. Das 134 consultas encaminhadas pelo CERN a empresas brasileiras desde 2024 para participação em projetos, apenas 14 despertaram interesse. Os números revelam que há espaço para ampliar a presença de fornecedores brasileiros em uma das mais sofisticadas cadeias globais de ciência e tecnologia.

Para apoiar esse movimento foi criada a plataforma Brazilian Industry Supporting Science (BISS), que reúne empresas nacionais aptas a fornecer produtos e serviços para grandes infraestruturas científicas internacionais, facilitando a conexão entre a indústria brasileira e oportunidades de negócios envolvendo alta tecnologia.

Formação de talentos

Além dos negócios, a parceria tem ampliado significativamente as oportunidades de formação profissional. Atualmente, 255 brasileiros desenvolvem atividades no CERN entre pesquisadores visitantes, estudantes, estagiários e funcionários. O grupo inclui pesquisadores vinculados a universidades brasileiras, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais e especialistas contratados pelo laboratório.

O interesse pelas oportunidades de especialização também cresce rapidamente. Em 2025, brasileiros enviaram 1.780 candidaturas para diferentes programas do CERN. Este ano, até o momento, já são 1.625 novas inscrições.

As contratações acompanham esse crescimento. Em 2025, 30 brasileiros ingressaram em programas do CERN, três vezes mais que no ano anterior. Outro indicador positivo é o desempenho dos candidatos brasileiros. Em diversas modalidades de seleção, como programas de doutorado, graduação, estágios técnicos e Summer Students, as taxas de aprovação superam a média dos demais Estados-Membros Associados do CERN.

Embora seja reconhecido mundialmente pela pesquisa em física de partículas, o CERN oferece oportunidades para profissionais em áreas como engenharia mecânica, elétrica, eletrônica e civil, computação, robótica, ciência dos materiais, radiofrequência, criogenia, tecnologia do vácuo, comunicação, administração, recursos humanos, direito e finanças.

A parceria também abre caminho para projetos tecnológicos de longo prazo capazes de beneficiar a indústria brasileira. Entre as iniciativas em desenvolvimento estão projetos para a produção de cabos supercondutores, desenvolvimento de protótipos de ímãs para futuros aceleradores de partículas, apoio a experimentos internacionais e desenvolvimento de materiais estratégicos para grandes instalações científicas.

Programas como o ORIGIN e a Mobilidade Internacional SENAI-CERN também ampliam a qualificação de técnicos e engenheiros brasileiros, aproximando a formação profissional das demandas de grandes infraestruturas científicas internacionais.

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