Etimologicamente, a palavra Pai carrega em sua gênese a essência do protetor, do sustentador, da fonte da vida e do guia. Trata-se de um termo denso, carregado de autoridade moral e afeto. Quando olhamos pela ótica espiritual, essa palavra ganha uma dimensão ainda mais profunda: ela herda a força do Pai Celestial, Aquele que arquitetou o universo e atribuiu a cada criação um propósito. Ser pai na terra, portanto, não é um mero evento biológico; é o exercício de uma missão sagrada de espelhar o cuidado, a provisão e a direção divina na vida de uma criança.
No entanto, viver em um mundo conturbado expõe as contradições humanas. É doloroso reconhecer que nem todos abraçam o peso e a beleza dessa vocação. Existem aqueles que geram a vida, mas esquivam-se da caminhada, fugindo da responsabilidade diária — afinal, educar, moldar o caráter e ofertar presença constante exige um renascimento diário que nem todos estão dispostos a viver. Quando a ausência acontece, o fardo do cuidado, do sustento e da orientação recai, na maioria esmagadora das vezes, sobre a mãe.
Entretanto por outro lado há bençãos de tantos que amam e traz dentro de si o verdadeiro espirito de Pai: O Dia dos Pais é um momento para celebrar o amor que cuida, ensina e protege. Mais do que laços de sangue ou estruturas tradicionais, ser pai é uma missão do coração — e ela se manifesta nas mais diversas formas de amar.
Neste dia, homenageamos todos os pais: os biológicos, os de coração, os avôs e tios que assumiram esse papel e, de forma muito especial, os pais homoafetivos que mostram, diariamente, que não existem regras para o afeto e que a única base indispensável para criar um filho é o amor incondicional, o respeito e a dedicação.
Ainda vale destacar que é impossível falar sobre a profundidade do Dia dos Pais sem render homenagem aos incontáveis pais que ocupam o papel de “mãe” (ou “pães”). Homens corajosos que, diante do vazio, desdobram-se para cumprir o papel duplo com dignidade.
Eles assumem a autoridade do lar, o sustento da mesa e o abraço protetor no topo da montanha, provando que o amor de Pai é capaz de abraçar até as missões que não lhe cabiam originalmente. (ser também mãe), e da mesma forma homenageamos as tantas mães que tiveram que abraçar a missão de ser também pai, ultrapassando os limites do heroísmo.
Mas o propósito desta data é a exaltação da verdadeira paternidade. Devemos lançar luz sobre os homens que honram o significado original do seu título: os grandes guardiões. Aqueles pais que são porto seguro para os filhos e companheiros leais de suas esposas na linda e desafiadora arte de educar. Homens que entendem que a maior herança deixada aos filhos não são os bens materiais, mas o tempo dedicado, as conversas ao pé da cama, o exemplo de retidão e a presença constante.
Celebrar esta data sob uma perspectiva paradoxal é reconhecer que a paternidade é, ao mesmo tempo, autoridade, doçura, força, instrução, escuta e sobretudo o amor.
Aos pais de sangue, aos pais de coração, aos pais solo, aos pais homossexuais e às mães que assumiram corajosamente essa dupla missão: que a força da Paternidade Divina continue inspirando, sustentando e renovando os seus passos nesta jornada inestimável de criar, de amar e educar.
“O meu profundo respeito e carinho a todos os pais neste dia tão especial: Dia dos Pais – 10 de agosto.”


Ivonete Schmitz
Jornalista e Diretora Editorial – Jornal Via Mão


