A democracia brasileira alcançou um marco crucial: o início oficial da campanha eleitoral. A partir de agora, candidatos aos cargos de Presidente e Vice, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual entram em campo na disputa pelo voto da população. É o momento em que o discurso cede lugar à responsabilidade.
A política costuma ser apresentada como um espaço aberto a qualquer cidadão, mas a ascensão de candidaturas sem trajetória prévia traz alertas importantes para a democracia. O fenômeno do “candidato outsider” — aquele que surge do nada, do mercado corporativo, de relações de influência ou do entretenimento, como influenciadores de redes sociais sem histórico de militância, gestão pública, vida partidária ou qualquer trabalho social — é frequentemente vendido como uma solução inovadora. No entanto, por trás dessa premissa, escondem-se riscos significativos para a representatividade e a governabilidade
O principal perigo reside na desconexão com o interesse público. Construir uma trajetória política exige diálogo contínuo com a comunidade, articulação social e compreensão das complexidades do Estado. Quando um postulante salta etapas e busca um cargo público apenas por visibilidade ou alianças de oportunidade, a gestão corre o risco de ser pautada por um verdadeiro “jogo de interesses”. Sem um compromisso histórico com causas sociais, as decisões tendem a privilegiar grupos de pressão específicos, agendas privadas ou a simples manutenção do poder.
Além disso, a falta de vivência no setor público frequentemente resulta em ineficiência e paralisia administrativa. Negociar com o legislativo, respeitar a burocracia estatal e gerir orçamentos complexos demandam experiência e preparo. Candidatos sem bagagem costumam enfrentar severas dificuldades de articulação, o que pode desencadear crises institucionais ou a entrega do governo a intermediários e tecnocratas descompromissados com a população.
Embora a renovação seja fundamental para a oxigenação do sistema, ela não deve ser confundida com o improviso. A democracia fortalece-se quando o eleitor analisa com atenção a história, os projetos e a real motivação de quem busca representá-lo.
Já sabemos que nesta fase eleitoral, surgirá uma grande quantidade de candidatos — a deputados federais e estaduais, por exemplo —, que aparecem de forma oportunista como ‘formigas no doce’. Muitos jamais estiveram presentes na região e, agora, chegam agindo como estrelas e fazendo inúmeras promessas.
Existe, porém, um detalhe extremamente importante: o cidadão precisa ficar atento à biografia política de cada um deles. Há postulantes que estão disputando a reeleição e não possuem trajetória política — nunca atuaram sequer como vereadores — e, impulsionados apenas por influência e dinheiro, continuam disputando os cargos mais altos. Esse perfil de candidato não pensa no povo, mas apenas em si mesmo, pois o status e o poder vêm em primeiro lugar.
A democracia exige maturidade e vigilância. O futuro das cidades, dos estados e do país depende diretamente da capacidade de cada cidadão de fazer uma escolha consciente, pautada pela informação e pela responsabilidade coletiva.
Desejo a todos um excelente pleito. Exerçam o seu direito ao voto com consciência e responsabilidade, pois assim teremos um país, um estado e um município cada vez melhores.


Ivonete Schmitz –Diretora Editorial Via Mão
MTB 54.748/SP


