Projeto “Conhecer para Não Julgar” levou seis animais ao centro socioeducativo e promoveu reflexão sobre preconceito, responsabilidade, inclusão e formação de vínculos positivos
Apesar dos olhinhos pequenos e da cara “mau”, eles chegaram abanando o rabo e, em poucos minutos, derreteram o coração de adolescentes e servidores do centro da Fundação CASA Três Rios, em Iaras. Foi assim que começou a visita dos seis cães da equipe “Raça de Peso”, que foram as principais estrelas de uma atividade diferente realizada na última terça-feira (25/08), dentro do ambiente socioeducativo.
A visita ocorreu às vésperas do Dia Mundial do Cão, celebrado nesta quarta-feira (26/08), e foi além dos momentos de carinho e interação com os animais. Durante o encontro, adolescentes os puderam se aproximar dos animais, tirar dúvidas e conhecer de perto a docilidade dos cães do tipo Bull, especialmente Pit Bulls e Pit Monsters, que muitas vezes são associadas, de forma generalizada, à agressividade.
A ação faz parte do projeto “Conhecer para Não Julgar”, que tem como ponto de partida derrubar os estigmas que cercam esses animais e que podem ser aplicados até mesmo para as relações humanas: conhecer antes de formar julgamentos e compreender que comportamentos e histórias não podem ser resumidos a rótulos.
Adestrados, vacinados e acostumados à interação com pessoas, os cães ajudam a conduzir uma conversa sobre a posse responsável de animais, a importância da construção de vínculos positivos, o respeito às diferenças e até mesmo a inclusão social.
Para a coordenadora pedagógica do CASA Três Rios, Juliana Castro Barbosa, a experiência permitiu trabalhar conceitos importantes para o desenvolvimento dos adolescentes de uma maneira leve e concreta. “Foi uma atividade que encantou os adolescentes, mas que também trouxe uma reflexão muito importante sobre a forma como olhamos para o outro. Muitas vezes, julgamentos são construídos sem conhecimento ou convivência. A presença dos cães possibilitou trabalhar, de maneira muito sensível, valores como respeito, empatia, responsabilidade e quebra de preconceitos”, afirma Juliana.
Segundo o presidente da Fundação CASA, Acacio Miranda, iniciativas que associam conhecimento, convivência e experiências positivas contribuem para ampliar o repertório dos jovens durante o cumprimento da medida socioeducativa. “A socioeducação também passa pela oportunidade de experimentar novos olhares sobre o mundo e sobre as relações. Uma ação como essa permite discutir respeito às diferenças, responsabilidade e empatia a partir de uma experiência concreta e afetiva. São valores fundamentais para a convivência em sociedade e para a construção de novos projetos de vida”, destacou Miranda.
O fundador do projeto Raças de Peso, Emerson Xavier, destacou a importância da atividade. “A visita teve como objetivo mostrar aos adolescentes que um erro do passado não precisa definir o futuro. Assim como os cães de raças que ainda enfrentam preconceito podem, com cuidado e socialização, demonstrar todo o seu potencial, esses jovens também podem construir novas trajetórias. Além de proporcionar um momento de interação e bem-estar, buscamos apresentar possibilidades profissionais ligadas ao universo canino e reforçar valores como empatia, responsabilidade e respeito”, concluiu.
Por Impressa ACS – Fundação Casa


