Centenas de bandeiras enfileiradas formam uma longa trilha e, como lençóis ao vento, agitam-se de forma tumultuada sobre o canteiro central da passagem de pedestres.
Mais uma eleição bate à porta e, com ela, inicia-se a competição frenético da busca pelo poder. A corrida pelos votos parece deixá-los inquietos, na qual candidatos “sobrevoam” cidades em busca do seu “pouso” — o voto do eleitor. Seja para Deputado Federal, Estadual, Senador, Governador ou Presidente, o cenário se repete. Contudo, é nas cidades de interior onde essa movimentação pulsa de forma mais ostensiva. Nomes até então desconhecidos surgem da noite para o dia, prometendo transformações milagrosas em troca do selo de aprovação nas urnas.
Entretanto, o que deveria ser um exercício de serenidade, debate de ideias e apresentação de propostas viáveis, transforma-se em um espetáculo de desespero eleitoral.


Um exemplo cristalino desse cenário pode ser observado na Avenida Massaichi Kakihara, uma das principais vias da cidade de Capão Bonito. Ao percorrer uma extensão dessa avenida, o cidadão se depara com uma poluição visual agressiva e desmedida: centenas de bandeiras enfileiradas formam uma longa trilha, como se fossem lençóis ao vento, expostas sobre a via pública e o canteiro, tornando evidente que pedestres nem se arriscam a caminhar pelo canteiro central, usando como alternativa as calçadas laterais
A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e a Resolução TSE nº 23.610/2019 permitem a utilização de bandeiras ao longo de vias públicas, mas impõem regras claras:
- Mobilidade e Acessibilidade: O material jamais pode prejudicar ou obstaculizar o livre trânsito de pedestres e veículos.
- Segurança Cidadã: Se uma bandeira bloqueia a calçada e força o pedestre — especialmente idosos, crianças e pessoas com deficiência — a caminhar pela rua, a propaganda passa a ser ilegal e irregular.
Na prática, o que se vê na Avenida Massaichi Kakihara é o descumprimento direto dessas normas. O desespero por visibilidade faz com que cabos eleitorais e candidatos ignorem o direito de ir e vir da população, transformando a caminhada do pedestre em um percurso de obstáculos perigoso.
A Reflexão Necessária: Se não cumprem o básico, o que farão no poder?
A postura de um candidato durante a campanha eleitoral é o espelho exato de como será sua atuação pública. O desrespeito às leis de trânsito e à convivência urbana revela uma falha grave de integridade e responsabilidade civil.
O teste do caráter político: Quem atropela uma simples resolução do Tribunal Superior Eleitoral para poluir uma avenida em busca de atenção, demonstra que coloca sua vaidade pessoal e sua sede de vitória acima do bem-estar coletivo.
Diante desse cenário, cabe ao eleitor fazer uma pausa e refletir criticamente antes de digitar o número na urna:
- Obsessão x Compromisso: Um candidato que não consegue gerenciar sua própria propaganda com civilidade terá competência para gerenciar o orçamento e as leis de um estado ou país?
- O Respeito à Cidade: Se o postulante a um cargo público desrespeita o espaço urbano de Capão Bonito durante poucas semanas de campanha, qual será o seu compromisso com a população após eleito?
- A Coerência do Voto: Promessas de “cumprir a lei” e “combater a corrupção” soam vazias quando vindas de quem comete ilegalidades visíveis aos olhos de todos de forma pública.
O Poder da Escolha Consciente
As eleições não devem ser encaradas como um jogo em que vence o mais barulhento ou o que mais polui a cidade. O voto é a ferramenta mais poderosa de transformação de uma sociedade.
Fique atento aos sinais. Observe como os candidatos da sua região se comportam durante este período. A irresponsabilidade demonstrada nas calçadas da Avenida Massaichi Kakihara e em tantas outras vias do país é o primeiro alerta de como esses nomes pretendem governar.
Não entregue o futuro da sua cidade e do seu país a quem demonstra, já na campanha, total desprezo pelo cidadão e pela lei. O voto consciente começa na observação do presente.


REDAÇÃO


