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Golpistas atacam sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro 2023 (Foto: Joedson Alves / Agência Brasil )

A Memória como Farol: Votar com consciência para evitar que o Brasil afunde no retrocesso

Faltam 16 dias para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, que acontecerá em 4 de outubro. Com a...

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Faltam 16 dias para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, que acontecerá em 4 de outubro. Com a aproximação da votação, não devemos nos esquecer do terrível episódio histórico de 8 de janeiro, marcado pela invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. O evento foi caracterizado pelas instâncias judiciais brasileiras como uma tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, quando, inconformados com o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2022 e a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro, manifestantes mantiveram acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército. De lá, milhares marcharam em direção à Praça dos Três Poderes, defendendo a intervenção das Forças Armadas para anular o processo eleitoral e depor o governo recém-empossado de Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de um movimento que trazia traços evidentes do renascimento do Regime Militar (1964–1985).

Nesse nebuloso contexto, olhar para o futuro exige, antes de tudo, a coragem de encarar o passado. Quem não viveu os anos sombrios da ditadura militar pode até não sentir o peso daquela época, mas a história carrega cicatrizes que o tempo jamais apagará. Ignorar a violência do regime, o arbítrio do AI-5, a censura e a supressão dos direitos básicos é condenar o país a repetir seus piores erros. A democracia brasileira e a Constituição Cidadã de 1988 não foram concessões; foram conquistas dolorosas, erguidas sobre o suor e a coragem de quem lutou pela liberdade.

A construção da cidadania no Brasil foi um processo árduo e contínuo. Ao longo das décadas, o povo brasileiro conquistou redes fundamentais de proteção social — como a valorização do trabalho, a aposentadoria e a criação do SUS. Paralelamente, a trajetória das mulheres na sociedade patriarcal evidencia essa longa caminhada de superação: desde o direito ao ensino superior (1879) e o voto feminino (1932), até o fim da incapacidade civil, em 1962, e a igualdade formal na Constituição de 1988; somam-se a isso a inserção no mercado de trabalho, a pílula anticoncepcional nos anos 1960–1970 e a criação de leis históricas como a Lei Maria da Penha (2006) e a Lei do Feminicídio (2015).

Avançar nesses direitos exigiu gerações e gerações de luta. Por isso, permitir que discursos de intolerância e o machismo estrutural voltem a ter espaço no poder representa um grave retrocesso para a dignidade feminina e a igualdade social. Esse risco se aprofunda diante do alinhamento a lideranças internacionais de extrema-direita, ligadas ao trumpismo, que colocam em xeque a própria soberania nacional. Sob essa orientação, o Brasil corre o perigo de submeter seus recursos estratégicos a interesses externos — especialmente minerais como as terras raras, insumos nos quais o país detém a segunda maior reserva mundial. Em um cenário geopolítico disputado por potências como Estados Unidos e China para assegurar matérias-primas vitais à tecnologia de ponta, à defesa e à transição energética, a perda de autonomia pode espoliar nossas riquezas naturais e deixar a população à mercê de profundas carências sociais.

Gostemos ou não, quando olhamos para a história política recente do país, é impossível ignorar a dimensão de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é o único presidente eleito pelo voto direto a assumir o cargo três vezes na história do Brasil — um menino que saiu do sertão nordestino, enfrentou a fome, a pobreza e a migração para se tornar o líder operário que desafiou os grandes poderes e fundou as bases do sindicalismo moderno no país.

Lula atravessou os corredores mais duros da história política brasileira e chegou ao topo: eleito presidente da República três vezes e prestes a disputar um novo mandato. A caminho de completar 81 anos no próximo dia 27 de outubro, sua presença na vida pública não atende a vaidades pessoais, ao acúmulo de bens ou à busca por “tronos”. Alguém que alcançou mais do que o sonho de ser líder do Brasil por três mandatos — atingindo todos os pilares da política — poderia optar pelo descanso e pela tranquilidade. Mas não! Sua plataforma política e sua consciência prioriza continuar combatendo a pobreza e a desigualdade social por meio de programas de transferência de renda, do fortalecimento do salário mínimo e do papel ativo do Estado como indutor do desenvolvimento econômico. Se continua na linha de frente como Presidente, é por um senso de dever com o destino da nação e com a classe trabalhadora — aqueles que sempre foram esquecidos pelas elites tradicionais. Sua permanência no debate público representa a resistência contra o avanço de ideologias autoritárias que ameaçam desmantelar os direitos sociais e a soberania do país.

A eleição de 2026 não é apenas uma escolha partidária ou uma disputa entre nomes; é um divisor de águas entre o fortalecimento das instituições e a entrega do país ao obscurantismo. Permitir a vitória de projetos extremistas ou de grupos marcados pela corrupção, pelo privilégio de poucos e pela submissão a interesses externos significa colocar o Brasil em uma corda bamba perigosa.

O voto em 2026 precisa ser um ato de consciência histórica e responsabilidade social. Salvar o Brasil do retrocesso exige lembrar do que aconteceu em 8 de janeiro e sobre tudo lembrar de onde viemos, honrar quem lutou pela nossa liberdade e proteger as conquistas árduas do povo.

Pela Redação – Ivonete Schmitz – Jornalista e Editora chefe

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