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Fim da Ditadura e em 15 de março de 1985, com a posse do presidente civil José Sarney a transição para a Nova República. (imagem fonte de arquivo do site org. biografia)

Brasil Republicano em Risco: As Ameaças do Novo Autoritarismo

A transição para a Nova República, selada em 15 de março de 1985 com a posse do presidente civil José...

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A transição para a Nova República, selada em 15 de março de 1985 com a posse do presidente civil José Sarney, marcou o encerramento de um longo período sob a sombra da ditadura militar instaurada em 1964. Para milhões de brasileiros que vivenciaram aquele tempo — muitos dos quais sem a exata dimensão da complexa realidade política da época —, as privações, as desigualdades e as limitações do cotidiano eram reflexos diretos de um regime autoritário e de uma sociedade fragilizada pela opressão.

A redemocratização acendeu uma luz de esperança para o povo brasileiro. No entanto, as gerações que não vivenciaram o terror, a censura e o sufocamento das liberdades individuais correm o risco de desconsiderar o valor e o significado real das conquistas democráticas. A história, contudo, não pode ser apagada, sobretudo em momentos em que a democracia volta a ser sutilmente ameaçada.

Diferentemente do passado, no qual o colapso democrático se dava por meio de tanques nas ruas ou golpes militares violentos, as ameaças contemporâneas manifestam-se de forma mais ardilosa: enfraquecendo as instituições de dentro para fora. No chamado “novo autoritarismo”, lideranças alcançam o poder de maneira legítima, pelo voto popular, mas passam a utilizar as próprias leis e os instrumentos do Estado para concentrar poder, perseguir opositores e alterar as regras do jogo democrático. Preservam-se as eleições e a fachada constitucional, criando a ilusão de normalidade institucional, enquanto a liberdade efetiva é corroída — como em uma partida de futebol em que as regras são alteradas em pleno andamento e a imparcialidade é anulada.

Diante do atual cenário de incertezas e da constante reconfiguração do jogo político nacional, impõe-se à sociedade um exame crítico rigoroso e consciente sobre os rumos do país. Avaliar com sobriedade os projetos políticos em disputa e o impacto do modelo iniciado por Jair Bolsonaro — agora desdobrado na participação de seu filho — é um dever de reflexão para todos os cidadãos. O período republicano em que vivemos representa uma das fases de maior estabilidade democrática da história brasileira — uma conquista que não pode ser colocada sob permanente sobressalto ou ameaça.

A memória histórica é a principal salvaguarda de uma nação. Votar com responsabilidade exige olhar atentamente para o passado, examinar de forma serena e rigorosa as evidências do presente e repudiar, de maneira inequívoca, qualquer projeto político que flerte com o autoritarismo ou coloque em risco as garantias democráticas erguidas com tanto sacrifício.

 

Ivonete Schmitz- Jornalista e Editora Chefe

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