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12 De outubro – Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida (IA)

Silenciar o ódio para votar com Sabedoria: A reflexão necessária no Dia da Padroeira e das Crianças

Às vésperas de decidir o futuro do país no segundo turno, o povo brasileiro é chamado a pausar a agressividade,...

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Às vésperas de decidir o futuro do país no segundo turno, o povo brasileiro é chamado a pausar a agressividade, resgatar a ética e refletir sobre o exemplo que está deixando para as próximas gerações.

O desfecho do primeiro turno das eleições, no último dia 4 de outubro, deixou desenhado o cenário para o desempate eleitoral em diversos cantos do país. Se por um lado a disputa para governadores mobiliza diferentes estados, é na corrida presidencial que as emoções atingem seu ápice. De um lado, a Esquerda com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca da reeleição; do outro, a Direita representada pelo senador Flávio Bolsonaro, herdeiro político legítimo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A política sempre foi e continuará sendo um terreno de paixões e forte mobilização cidadã. O patriotismo legítimo, contudo, tem sido frequentemente sufocado por um clima de hostilidade desenfreada, ataques pessoais e ofensas que em nada contribuem para o futuro da nação. Diante de lideranças que nem sempre demonstram a disciplina, a ética e o exemplo necessários para representar a pluralidade do povo, a população acabou absorvendo um comportamento de constante degradação do debate público.

Mais do que o embate ideológico, esta eleição alcançou um patamar delicado ao transformar dogmas religiosos em arena de combate. Em vez do respeito às diferentes manifestações de fé e à espiritualidade, passagens bíblicas e imagens sagradas vêm sendo instrumentalizadas como armas de ataque ao adversário. Esquece-se que a fé deve unir e edificar, não dividir e ferir.

Diante desse cenário turbulento, o mês de outubro nos apresenta uma coincidência simbólica que exige uma profunda reflexão de cada cidadão: o dia 12 de outubro, data em que se celebra simultaneamente o Dia das Crianças e o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. São duas bases de extrema responsabilidade humana e espiritual que deveriam servir de bússola para o nosso comportamento.


As crianças e a responsabilidade com o amanhã

As crianças simbolizam o futuro do Brasil. Que perspectiva de país estamos oferecendo a elas ao permitir que testemunhem adultos se descontrolando, xingando e trocando ofensas graves por razões partidárias? Torna-se assustador constatar episódios em que crianças são expostas a gestos com armas, som que demostra alusão a violência, ódio e performances inadequadas para a sua idade. Antes de depositarmos o voto na urna, precisamos nos perguntar: estamos sendo de fato guardiões da infância e modelos de integridade para quem vai herdar este país?


O resgate do respeito e da proteção

Por outro lado, a figura de Nossa Senhora Aparecida remete à essência da maternidade: o cuidado, o acolhimento, o ensino do caminho do bem e a proteção. O clima de agressividade verbal e desrespeito que tomou conta das ruas e das redes sociais desonra essa vocação maternal de zelo e fraternidade. O comportamento de parcela da sociedade assemelha-se ao de filhos rebeldes e desorientados que abandonaram os valores básicos do convívio humano e familiar.

Que o próximo dia 12 de outubro seja um convite ao recolhimento e à sobriedade. É hora de silenciar o barulho das ofensas, mergulhar na própria consciência e olhar para a nossa história com maturidade. A escolha política de um país não deve nascer do rancor ou da manipulação, mas da responsabilidade com o bem comum e do compromisso com as futuras gerações.

Que a tradicional oração à Padroeira do Brasil saia do campo das palavras e encontre eco na prática das nossas atitudes diárias e, sobretudo, na hora de votar — porque a escolha de quem irá conduzir o Brasil é uma grande responsabilidade de cada um de nós.

Ivonete Schmitz
Jornalista e Editora Chefe

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