Com mais de 640 mil contratos ativos no Brasil, iniciativas de Jovem Aprendiz e estágio impulsionam a diversidade, fortalecem a cultura corporativa e preparam os executivos do futuro.
O mercado de trabalho vive uma virada estratégica na gestão de pessoas. Historicamente vistos como posições operacionais de entrada ou mero cumprimento de cotas, os programas de Jovem Aprendiz e estágio assumiram um papel central no planejamento de sucessão e na formação das futuras lideranças corporativas. Impulsionado pela disputa acirrada por talentos qualificados, esse movimento reflete um novo olhar sobre a retenção de profissionais e a construção de equipes mais diversas e alinhadas à cultura das organizações.
O alcance dessa transformação é evidenciado pelos números oficiais. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que o Brasil registrou mais de 640 mil contratos ativos de aprendizagem em 2025, figurando entre os maiores volumes da série histórica nacional.
Da aprendizagem à gestão estratégica
Na prática, a aposta na formação desde a base tem gerado trajetórias consolidadas de ascensão profissional. Um exemplo é Bianca Gomes, atual especialista em Engenharia Ambiental e Sanitária ESG no Grupo EP. Sua primeira experiência no mercado ocorreu por meio de um programa de aprendizagem em parceria com o Saber Aprendizes — instituição especializada na capacitação e inclusão socioemocional de jovens.
Efetivada após o período de formação, Bianca passou a responder pelas iniciativas de sustentabilidade, responsabilidade social e governança da companhia, mantenedora da epharma. Recentemente, a profissional retornou à instituição de ensino para ministrar uma palestra sobre educação ambiental e descarte correto de medicamentos para novos aprendizes.
“Minha trajetória mostra como uma oportunidade no início da carreira pode transformar o futuro de um jovem. O programa foi fundamental para o meu desenvolvimento profissional e pessoal, e hoje poder atuar na área de ESG e contribuir para iniciativas que geram impacto positivo torna essa jornada ainda mais significativa”, afirma Bianca.
A trajetória acompanha o perfil demográfico da própria empresa. O Censo de Diversidade de 2025 da epharma revela uma força de trabalho predominantemente jovem: 58,3% dos colaboradores pertencem à Geração Z e 31,7% à Geração Y.
“A aprendizagem é uma das formas mais eficazes de desenvolver talentos e promover inclusão produtiva. Quando a empresa investe na formação desses jovens, cria não apenas oportunidades individuais, mas também uma base sólida para o futuro do negócio”, destaca Elinee Ferreira, líder de Recursos Humanos, ESG e People Experience do Grupo EP.
Impacto social e desenvolvimento comunitário
Para além do ecossistema corporativo tradicional, a qualificação inicial tem atuado como vetor de transformação social em territórios vulneráveis. O Instituto CEJAM, responsável pelas ações socioambientais do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), aposta na inclusão de jovens de 14 a 26 anos por meio do programa CEJAM Conecta.
Desde a sua criação, em 2022, o projeto capacitou mais de 2 mil participantes com frentes de ensino técnico, cidadania, consciência ambiental e inteligência socioemocional. Em 2025, 17 egressos do programa foram contratados formalmente.
“Investir na qualificação de jovens é investir no fortalecimento dos territórios e na construção de comunidades mais saudáveis. O CEJAM Conecta vai além da formação técnica: prepara esses jovens para ingressarem no mercado com mais autonomia e capacidade de adaptação”, explica Marceli Pereira, gerente de Responsabilidade Socioambiental do Instituto CEJAM.
Marceli acrescenta que muitos desses profissionais passam a integrar os próprios quadros de saúde administrados pela instituição, fechando um ciclo virtuoso entre empregabilidade e assistência pública.
Um novo modelo de desenvolvimento humano
Para especialistas em recursos humanos, a integração de programas de aprendizagem e trainee às metas de longo prazo marca um ponto de virada na sustentabilidade dos negócios. A combinação de acompanhamento estruturado, mentoria e oportunidades reais de crescimento permite que as empresas desenvolvam pipelines internos de liderança preparados para lidar com os desafios socioambientais e de inovação do mercado contemporâneo.
Da Redação – Fonte: imprensa Máquina


