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Resultado do primeiro turno revela o desejo dos parasitas da nação

Por José Menezes Gomes – (Doutor pela USP, prof.do Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Pós-Graduação em Serviço...

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Por José Menezes Gomes – (Doutor pela USP, prof.do Curso de Ciências Econômicas e no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social / UFAL e membro da RICDP)

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial, com a vitória de Flávio Bolsonaro por 2% de diferença em relação a Lula da Silva, aguçou os rentistas e outros parasitas da nação. Nesta última segunda-feira (5 de outubro), o chamado mercado — ou o conjunto dos rentistas, incluindo o setor industrial e o agronegócio, que, mesmo sendo parte do setor produtivo, se incluem neste grupo — levou a dois acontecimentos reveladores das reais intenções do grupo que venceu o primeiro turno.

O primeiro caso foi a queda do dólar para US$ 4,95, sinalizando que haverá um ajuste fiscal brutal, como já indicado em seu programa de governo com os cortes nos investimentos sociais, o que asseguraria o pagamento de um valor maior do serviço da dívida pública (juros e amortizações). O segundo caso foi a valorização da Bolsa de Valores em 20%, tendo como destaque as ações do Banco do Brasil e da Petrobras. Na Petrobras, a PETRJ550 avançou 164,04%, enquanto a PETRJ541 ganhou 148,59%. No Banco do Brasil, a BBASJ270 terminou o dia com valorização de 144,29%. Tivemos também o crescimento de outras ações, mas vamos nos ater a essas duas instituições estatais que cumprem um papel importante e representam uma grande fatia dos capitais que atuam na bolsa de valores. Por outro lado, as ações da Vale recuaram entre 22,75% e 46,92%.

Este fato revela que o chamado mercado já iniciou o processo de compra de ações dessas duas instituições, visando adquirir agora maior participação acionária para uma futura privatização. Dentro disso, podemos destacar que entre os interessados estão as petroleiras mundiais e os grandes bancos estrangeiros, sem deixar de mencionar o dinheiro do crime organizado e das apostas esportivas (BETs), que pretendem assumir parte dessas instituições públicas numa nova dimensão de lavagem de dinheiro.

Tal processo poderia significar a desnacionalização de grande parte da riqueza nacional, com consequência direta sobre os preços dos combustíveis, como ocorreu nas refinarias da Bahia e do Amazonas. Não podemos esquecer que, no período do governo anterior, várias fábricas de fertilizantes foram fechadas e posteriormente reabertas no atual governo.

Durante a Guerra da Ucrânia, ficou evidente o quanto a dependência de fertilizantes vindos da Rússia tornou o setor do agronegócio vulnerável, elevando os custos de produção. Para compreender essa dinâmica, precisamos resgatar o essencial do programa do governo Bolsonaro, que levou à privatização da BR Distribuidora e das refinarias da Bahia e do Amazonas — sem esquecer que, naquele momento, o governo tinha como meta a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Tão grave quanto essas privatizações seria o retorno do PPI (Preço de Paridade de Importação), vinculando os preços dos combustíveis à variação do preço do petróleo e do dólar. No governo anterior, essa variação permitiu que a gasolina atingisse um valor acima de R$ 9,00, tornando-se um gatilho persistente no processo inflacionário, com a elevação do peso do item transporte na determinação do índice de inflação.

Temos que lembrar que a privatização da BR Distribuidora, ocorrida naquele momento, acabou retirando a possibilidade de conter os preços cartelizados das demais distribuidoras, já que a redução dos preços da Petrobras não seria revertida nos postos. A privatização da BR Distribuidora abriu espaço para que o dinheiro do crime organizado fosse destinado à aquisição de 1.600 postos de gasolina, conforme revelado pela Polícia Federal.

Neste contexto, a eleição no primeiro turno confirma que temos uma candidatura mais preocupada e alinhada com o slogan “América Primeiro”, de Trump. Além disso, temos a repetição da proposta de Jair Bolsonaro com a incorporação do programa político adotado pelo presidente Milei, da Argentina, que permitiu até a venda de território argentino para grupos estrangeiros.

O resultado do primeiro turno da eleição para presidente já provocou a revelação de outros elementos programáticos da extrema-direita, como a proposta de governo de realizar uma nova contrarreforma previdenciária, trabalhista e administrativa, com graves consequências para o serviço público brasileiro e o fim do concurso público. Sem qualquer dúvida, temos em jogo, principalmente, a manutenção ou não do regime democrático e a garantia dos direitos sociais conquistados.

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