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Cuidados no pré-parto: manejo adequado e atenção às novilhas garantem nascimento saudável de bezerros na pecuária

Embora o parto bovino costume durar menos de uma hora, o nascimento de um bezerro saudável exige uma base de...

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Embora o parto bovino costume durar menos de uma hora, o nascimento de um bezerro saudável exige uma base de cuidados que começa muito antes, com atenção especial voltada para os últimos 100 dias de gestação. É justamente no terço final que o feto apresenta seu maior ritmo de crescimento, exigindo da matriz um suporte nutricional, sanitário e de manejo diferenciado. Esse acompanhamento preventivo não apenas protege a saúde do animal, como também permite ao produtor identificar potenciais dificuldades com antecedência e evitar intervenções humanas desnecessárias.

De acordo com o médico-veterinário da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Braz Costa de Oliveira Junior, as diretrizes básicas de pré-parto aplicam-se a todas as raças, contemplando rebanhos zebuínos, taurinos e mestiços. O planejamento dessa fase começa por alicerces simples, porém fundamentais: a oferta contínua de água de qualidade, forragem adequada e suplementação mineral sem restrições.


Piquete-maternidade e observação dos sinais

Em sistemas de criação de gado de corte a pasto, a implantação de um piquete específico para as fêmeas em fase final de gestação — o chamado piquete-maternidade — traz ganhos expressivos em termos de controle sanitário e operacional. A separação do rebanho principal minimiza o estresse gerado por atritos e disputas hierárquicas, além de facilitar a limpeza do ambiente, reduzir riscos de infecções e favorecer os primeiros manejos do recém-nascido, como a cura do umbigo e a ingestão oportuna do colostro.

O local deve ser estruturado de preferência próximo ao curral, o que agiliza a observação diária e permite respostas rápidas caso o parto apresente intercorrências.

Aproximar-se do momento crítico exige atenção aos sinais visíveis e comportamentais da matriz:

  • Sinais de aproximação: O úbere acumula leite visivelmente e a vulva apresenta maior inchaço dias antes do nascimento.
  • Comportamento de parto: A fêmea tende a se isolar do restante do lote, alternando momentos em que se levanta e se deita antes de iniciar as contrações e os esforços expulsivos.

A recomendação técnica é monitorar com atenção, mas sem excesso de proximidade física. O parto é um processo fisiologicamente estressante, e a presença constante de pessoas ao redor pode aumentar a agitação da matriz. Em condições normais, após o rompimento da bolsa, a fase de expulsão do feto deve transcorrer em aproximadamente 40 minutos. Caso esse limite seja ultrapassado, o produtor deve intensificar a observação para detectar sinais de distocia (parto difícil).

A orientação primordial dos especialistas é evitar intervenções precipitadas. Nem todo nascimento demanda auxílio humano, e tentativas de puxar o bezerro sem necessidade podem comprometer um processo que ocorreria naturalmente. Diante de indícios claros de dificuldade, a assistência deve ser conduzida exclusivamente por pessoal capacitado, preferencialmente sob a supervisão de um médico-veterinário.

Atenção redobrada com as primíparas

Divulgação CATI

As fêmeas de primeira cria, conhecidas como primíparas ou novilhas, exigem um nível diferenciado de acompanhamento. Por estarem vivenciando a maternidade pela primeira vez, elas demonstram maior inexperiência e vulnerabilidade. Para otimizar o tempo da equipe e direcionar o olhar técnico onde ele é mais necessário, a recomendação é separar o lote de novilhas das vacas multíparas (que já pariram mais de uma vez).

Essa divisão ganha ainda mais relevância diante da evolução da precocidade nos rebanhos modernos. Com o melhoramento genético e a seleção rigorosa de características produtivas, a idade ao primeiro parto foi antecipada de cerca de 36 meses, nos sistemas tradicionais, para faixas entre 18 e 20 meses nos planteis mais tecnificados. Se por um lado essa precocidade eleva a produtividade e a vida reprodutiva da matriz, por outro exige cuidados estritos com o desenvolvimento corporal e nutricional dessas fêmeas jovens.

“Como se trata de um animal muito jovem, ele é inexperiente. Por ser novilha, devemos ter esse cuidado redobrado,” destaca Braz Costa de Oliveira Junior, chefe da divisão de produção da CATI na Fazenda Ataliba Leonel, em Manduri (SP), unidade que também lidera o Programa de Melhoramento Genético do Nelore Mocho.

Registros, reprodução e sanidade

O planejamento do pré-parto é diretamente potencializado pelo controle reprodutivo da fazenda. Produtores que utilizam a inseminação artificial e mantêm registros rigorosos de datas conseguem estimar com precisão o período das Parições e identificar gestações prolongadas. Nos sistemas de monta natural com touro solto no lote, o diagnóstico de gestação precoce realizado por um profissional habilitado cumpre papel equivalente, permitindo lotear as vacas de acordo com a idade gestacional.

O pilar sanitário completa o ciclo de preparação. As matrizes devem encerrar o terço final da gestação com o calendário de vacinação rigorosamente em dia, sobretudo contra as principais patologias de impacto reprodutivo. Essa blindagem sanitária não apenas resguarda a saúde da fêmea, como assegura a alta qualidade do colostro — fluido indispensável por ser rico em anticorpos que conferem imunidade passiva ao bezerro recém-nascido.

Por Redação- Fonte: Serviço de Comunicação Rural

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