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Pesquisas científicas, como da Esalq/USP, e experiências de campo mostram ganhos reais de produtividade e recuperação de solos degradados. O tema será um dos destaques da 31ª Hortitec, em Holambra (SP).

Do Solo Degradado à Eficiência: Fertilizantes Orgânicos Transformam a Horticultura no Interior de SP

Sucessão familiar, economia de 95% na adubação de base e pesquisas da Esalq/USP impulsionam o uso de compostos orgânicos na...

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Sucessão familiar, economia de 95% na adubação de base e pesquisas da Esalq/USP impulsionam o uso de compostos orgânicos na produção de hortaliças; tecnologia será destaque na 31ª Hortitec.

Quando Camila Carriel Domingues, de 26 anos, assumiu a gestão das estufas da família em Pilar do Sul (SP), deparou-se com um solo severamente comprometido. O alto nível de salinização nas áreas de tomate, pimentão e pimenta americana prejudicava o desenvolvimento das raízes e a absorção de nutrientes, gerando um custo com adubação que consumia a margem de lucro da propriedade.

A transição da área comercial para o campo ocorreu após o afastamento do pai por problemas de saúde.

“O maior desafio foi entender o campo na prática e encontrar formas de reduzir custos sem perder produtividade. Quando se fala em insumos de origem orgânica, ainda existe um certo tabu. Mas resolvi testar e acompanhar os resultados”, conta Camila.

Resultados Práticos: Economia e Recuperação do Solo

Hoje, todas as estufas da propriedade utilizam o composto orgânico como insumo de base, aplicado na dosagem média de três quilos por planta. Os impactos econômicos e agronômicos foram imediatos:

  • Redução de custos: Economia de aproximadamente 95% nos gastos com adubação de base.
  • Recuperação do solo: Reversão do quadro de salinização.
  • Ganho operacional: Simplificação do manejo. Antes, a fertilização exigia uma extensa lista de produtos aplicados em várias etapas; hoje, o processo está unificado.
  • Desempenho vegetal: Melhora visível no desenvolvimento radicular e na absorção de nutrientes.

O Desafio do Cultivo Protegido no Brasil

O cenário enfrentado por Camila é comum na horticultura brasileira. No cultivo protegido — especialmente em estufas com ciclos contínuos —, a degradação química do solo pelo excesso de insumos minerais costuma ser intensa.

O acúmulo de sais, somado à baixa reposição de matéria orgânica, reduz a disponibilidade de água para as plantas e compromete a atividade biológica do solo. Com o tempo, o produtor colhe queda de produtividade, mesmo aplicando doses crescentes de fertilizantes.

Ciência Comprova Ganhos de Produtividade e Qualidade

Os benefícios validados no campo encontram respaldo na pesquisa científica. Um estudo conduzido pela professora Simone da Costa Mello, da Esalq/USP, avaliou o fertilizante orgânico composto da Tera Nutrição Vegetal em lavouras de tomate em Sumaré (SP).

Principais achados da pesquisa:

  • Produtividade: Aumento real em relação à adubação convencional.
  • Qualidade do fruto: Redução da acidez e melhor equilíbrio de sólidos solúveis (relevante tanto para o mercado in natura quanto para a indústria).
  • Ponto de equilíbrio: A produtividade máxima foi atingida com a aplicação equivalente a quatro toneladas por hectare. Acima disso, os ganhos marginais se estabilizam, dado crucial para o planejamento econômico do agricultor.

Sustentabilidade e Economia Circular

O adubo utilizado é produzido a partir da compostagem termofílica de lodo de esgoto tratado e resíduos orgânicos, com rigoroso controle de temperatura e umidade.

O engenheiro agrônomo Fernando Carvalho Oliveira, responsável técnico da Tera, destaca o duplo benefício da tecnologia:

“O material contribui para a melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo. Há também um componente de economia circular: resíduos que seriam descartados passam a ter função produtiva dentro da cadeia agrícola.”

Experimentos em ambiente controlado, apontados pelo consultor Hiro Kawabata, mostram que substratos enriquecidos com 20% do composto geraram sistemas radiculares muito mais robustos em tomate-cereja e mini girassóis.

Nova Geração Impulsiona Mudanças no Campo

A história de Camila reflete a sucessão familiar no agronegócio brasileiro. A nova geração de produtores rurais une o legado familiar a uma abordagem mais analítica e sustentável.

“Hoje vejo que inovação não é só tecnologia cara, mas tomar decisões melhores dentro da realidade da propriedade”, pontua Camila.

Além disso, em um mercado de fertilizantes minerais altamente dependente de importações e vulnerável a crises geopolíticas globais, os insumos de base orgânica surgem como uma alternativa estratégica para garantir a autonomia do setor e a estabilidade financeira do produtor.

Destaque na 31ª Hortitec

O potencial desses fertilizantes e os resultados práticos de recuperação de solo serão debatidos na 31ª Hortitec, em Holambra (SP). A feira é um dos principais pontos de encontro da horticultura na América Latina. Para Lucas Rugine, gerente comercial da Tera, o interesse do setor sinaliza maturidade: “O produtor entendeu que a qualidade do solo é seu principal ativo”.

Serviço

  • Evento: 31ª Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas
  • Data: 17, 18 e 19 de junho de 2026
  • Local: Parque da Expoflora
  • Endereço: Alameda Maurício de Nassau, 675 – Holambra (SP)

Por Redação – Viveiros & Associados Oficina de Comunicação

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