Ele foi um dos maiores precursores do setor florestal brasileiro, Odilon viveu seus últimos dias em sua fazenda, honrando a memória de seu pai, Eliziário Lopes de Proença (Nhô Lica).
Ele foi um dos maiores precursores do setor florestal brasileiro, Odilon viveu seus últimos dias em sua fazenda, honrando a memória de seu pai, Eliziário Lopes de Proença (Nhô Lica).
Foto Divulgação – Família
O Mentor e a Bússola
Hoje, 16 de março, completam-se sete anos da partida do meu avô, Odilon Lopes de Proença. Alguns homens apenas passam pela vida. Outros a forjam. O meu avô a forjou.
Tive o privilégio de conviver com ele até os meus 20 anos — o tempo exato e necessário para compreender que eu estava diante de um homem totalmente fora da curva. Ele não foi apenas o meu avô; em praticamente todos os momentos, ele foi o meu pai. Foi a minha bússola inegociável de caráter, liderança e coragem. Odilon era uma persona magnética, um titã que entrava em qualquer ambiente e era imediatamente percebido, sem jamais precisar elevar a voz.
O Pioneirismo Florestal e a Visão de Futuro
Odilon Lopes de Proença foi um dos maiores precursores do setor florestal brasileiro. Visionário e estrategista nato, consolidou, ainda na década de 1970, o conceito de florestas plantadas para múltiplos mercados. Ele não era apenas um gestor de escritório; dominava a operação real.
- Inovação: Iniciou a colheita mecanizada de madeira no Brasil, um marco absoluto.
- Integração: Criou o que hoje chamamos de “ecossistema de negócios” ou “integração vertical”, conectando o corte, o beneficiamento e a logística.
- Reconhecimento: O mercado o reverenciava. Como citou o engenheiro Adhemar Vilela, ele era “excepcional”, capaz de manter máquinas complexas rodando e fechar negócios “no fio do bigode”.
- Empreendedorismo: Fundou a Transproença em Telêmaco Borba, desenhando ele mesmo a logomarca em uma cartolina, e a Tibagi, em sociedade com seu irmão e fiel parceiro Jurandir Proença Lopes.
Alianças e Raízes
Sua jornada foi marcada por lealdade. Ao lado dos irmãos Mariano e Miesceslau (Meteco) Malinowski, construiu as bases de sua trajetória. A união entre as famílias Proença e Malinowski, selada pelo sangue e pela alma das primas Adelaide e Aparecida, forjou um vínculo que atravessa gerações e deu origem a novos legados, como a Vale do Tibagi.
A Força do Campo e a Retirada Estratégica
Após uma vida de batalhas corporativas e um primeiro alerta do coração, Odilon escolheu Ventania (PR) para seu “retiro” produtivo. Lá, ao lado do sócio e amigo Dirceu Abreu, permitiu-se priorizar a saúde sem nunca abandonar a excelência. Tornou-se pioneiro na agropecuária paranaense e um dos maiores criadores da raça Girolando no país, recebendo em suas terras nomes como José Hamilton Ribeiro para atestar a qualidade de seu rebanho.
O Legado Humano
Acima de qualquer patrimônio, Odilon construiu uma família sob os pilares da ética. Ao lado de Adelaide Martins de Proença, o alicerce sereno e de fé inabalável, ele formou gerações.
- Sua filha Aisne, que herdou sua fibra para educar os filhos sozinha;
- Seu filho Marcelo, homem de esforço e mérito próprio;
- Seus netos, que hoje honram seus ensinamentos na Medicina Veterinária, no Direito, na Pedagogia e na Engenharia.
Seu conselho era rústico e direto: “Quer crescer? Então estuda. E trabalha. Trabalha até quando estiver cansado. Porque nada cai do céu.”
A Estrela de Ventania
Odilon viveu seus últimos dias em sua fazenda, honrando a memória de seu pai, o bisavô Eliziário Lopes de Proença (Nhô Lica). Ele não pisou no freio. Aos 85 anos, ainda rasgava as estradas ao volante de sua caminhonete, dono de uma lucidez implacável.
Leonino nato, de presença magnética e visão estratégica rara, Odilon foi um verdadeiro titã do empreendedorismo e um dos maiores precursores do setor florestal brasileiro. Na década de 1970, quando a ideia ainda era recebida com descrédito, ele esteve na vanguarda da economia nacional ao consolidar o conceito de florestas plantadas para múltiplos mercados.
O Arquiteto de Ecossistemas
A genialidade de sua mente criou o que hoje chamamos de ecossistema de negócios. Essa característica não era vista apenas com os olhos apaixonados da família, mas reverenciada por todo o mercado. Para entender o peso do seu nome, recorro a um belíssimo texto escrito por seu grande amigo, o engenheiro florestal Adhemar Vilela, que fez questão de registrar essa história alegando um “dever de ofício e para fazer justiça a esta personalidade histórica”.
Em suas memórias do ano de 1974, Adhemar descreveu meu avô com precisão cirúrgica:
“Baixo, forte, extremamente informal, de personalidade marcante e de uma inteligência acima da média orientada para o empreendedorismo.”
Naquela ocasião, Odilon precisava de um jogo de facas emprestado para manter suas modernas máquinas finlandesas ValonKone rodando. Conseguiu as peças no fio do bigode, devolveu-as como prometido e, quando os especialistas visitaram a operação para entender quem era aquele homem, ficaram boquiabertos. A conclusão técnica foi unânime: “O homem era excepcional”. Ele estava desenhando ali o que a economia florestal conhece hoje.
Inovação e Integração
Essa visão de dominar o ciclo completo — do corte da árvore até a entrega final — é o que hoje os grandes executivos chamam de “integração vertical”, mas que o meu avô já fazia na prática, com suor e genialidade, décadas atrás. Foi ele, inclusive, quem iniciou a colheita mecanizada de madeira no Brasil, um marco absoluto que revolucionou o setor.
Em Telêmaco Borba (PR), idealizou a Transproença do absoluto zero, desenhando a própria logomarca com uma caneta em uma cartolina. A logística operava de forma brilhante: os veículos levavam o papel da Klabin para o Sudeste e retornavam carregados de madeira, numa engrenagem perfeita.
Expansão e Alianças

Com o tempo, o império cresceu para mais de 600 colaboradores. Ele comandava a indústria madeireira e a criação de gado da raça Santa Gertrudes em Capão Bonito (SP), a transportadora no Paraná e diversas propriedades. Quando o ritmo incansável exigiu cuidados com a saúde, a aliança com seu sócio e amigo de confiança, Dirceu Abreu, permitiu que Odilon priorizasse sua qualidade de vida em Ventania.
Lá, dedicou-se ao que mais amava: a convivência com os netos e a agropecuária. Sua excelência repetiu-se no campo, sendo nomeado pioneiro na agropecuária no Paraná e destacando-se no melhoramento genético da raça Girolando, atraindo até a atenção do renomado jornalista José Hamilton Ribeiro.
Um Legado de Sangue e Alma
Odilon não caminhou sozinho. Expandiu a indústria madeireira Tibagi com seu irmão e meu padrinho, Jurandir Proença Lopes, e contou com a parceria inesquecível dos irmãos Mariano e Miesceslau (Meteco) Malinowski. Essa fibra inspirou gerações, como a criação da Vale do Tibagi pela família Malinowski.
Hoje, a entrada de sua fazenda em Ventania é coroada por uma belíssima árvore Primavera, na Avenida Eliziário Lopes de Proença. É motivo de imenso orgulho saber que essa mesma terra continua na família, sob o comando zeloso de meu tio-avô Jurandir.
A Obra Humana
Antes de qualquer império, sua maior construção foi humana. Dono de uma lucidez implacável aos 85 anos, Odilon vivia com foco inabalável na família, tratando a todos com absoluta igualdade.
Como engenheiro e gestor, carrego o objetivo silencioso de alcançar a sua grandeza e honrar o nome Proença. A saudade, como dizem, é o azar de quem teve muita sorte. Afinal, só sente saudade quem ama. A “grande viagem” não o levou de nós; Odilon Lopes de Proença respira vivo na memória, na integridade de sua família e nas fundações das cidades que ele ajudou a erguer.
No dia 16 de março de 2019, o teatro da vida baixou as cortinas para este gigante. Mas a “grande viagem” não o levou de nós. Ele vive em cada decisão justa que tomo, em cada valor que não negócio e na saudade que hoje sinto.
“A saudade é o azar de quem teve muita sorte. Afinal, só sente saudade quem ama, e só deixa saudade quem foi”
Odilon Lopes de Proença: Presente, hoje e sempre.
Carinhosamente de seu neto- Gabriel Lopes de Proença
Saudades eternas.



