Levantamento apresentado no IAC quebra o mito de que apenas o clima e a variedade da planta definem a qualidade da bebida; extensionistas rurais passam por capacitação para apoiar cafeicultores no estado.
CAMPINAS — O segredo para produzir um café premiado vai muito além do clima favorável e da genética da planta. Um levantamento feito pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) revelou que o cuidado e o rigor no manejo dos lotes explicam cerca de 25% da diferença na pontuação dos grãos mais bem avaliados do estado. A constatação, baseada nas amostras das edições de 2023, 2024 e 2025 do Concurso Qualidade do Café de São Paulo, foi apresentada durante o Encontro de Técnicos do QualiCaféSP, organizado pelo órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), e realizado no Instituto Agronômico (IAC), em Campinas na última terça-feira (18).
De acordo com Osmar de Almeida Júnior, gestor do QualiCaféSP — iniciativa da CATI executada em 16 regionais paulistas —, os dados surpreendem por contrariar uma crença comum entre os produtores. “A maioria dos cafeicultores acredita que somente as variedades das plantas e os fatores climáticos são determinantes para uma produção campeã”, destacou Almeida Júnior durante a reunião com os extensionistas.
Capacitação prática para amparar o produtor


Para garantir que a informação chegue às pontas da cadeia produtiva, 23 técnicos da CATI participaram de um treinamento prático focado nos critérios de classificação física e sensorial dos grãos. A instrução foi conduzida pelo pesquisador Gerson Silva Giomo, do Centro de Café “Alcides Carvalho” (IAC/Fazenda Santa Elisa).
O objetivo é capacitar os servidores das Casas da Agricultura para orientarem diretamente os produtores no preparo das amostras que disputarão o certame.
A iniciativa se destaca especialmente para as regiões onde a cafeicultura ainda é recente ou enfrenta adversidades climáticas específicas:
- Desafios do clima no Vale do Ribeira: Para o engenheiro agrônomo Rogério Haruo Sakai, da Regional Registro — responsável pela assistência técnica ao casal de Barra do Turvo, detentor do atual melhor café de São Paulo —, o aprendizado é essencial. “Como no Vale do Ribeira tem excesso de umidade e chuva o ano todo, o desafio de compartilhar boas práticas de produção e processamento é ainda maior”, apontou Sakai, reforçando o papel da extensão rural em regiões não tradicionais.
- Expansão em novas fronteiras: Na região de Barretos, onde o cultivo comercial começa a dar os primeiros passos, o foco está na adaptação das lavouras. “Descobrimos as variedades que melhor se adaptam em ambientes diversos do território brasileiro, o que é fundamental para nossa região”, afirmou Marina Alves Clemente, engenheira agrônoma e chefe da Casa da Agricultura de Bebedouro.
Gestão, nutrição e pragas em pauta


Além da avaliação sensorial do café, o encontro contou com uma programação abrangente voltada à eficiência do negócio rural e à sanidade das lavouras.
Gestão no campo
A pesquisadora Flávia Maria de Mello Bliska (IAC) apresentou o Método de Identificação do Grau de Gestão (MIGG). Ferramenta simples e de rápida aplicação, o MIGG permite ao cafeicultor diagnosticar o nível gerencial de sua propriedade (a metodologia está disponível para consulta pública e aplicação no site migg.fundag.br).
Tratos culturais e nematoides
Os participantes também assistiram a palestras sobre nutrição e manejo do cafezal, ministradas pelo pesquisador aposentado do IAC, Roberto Antonio Thomaziello. A ameaça de nematoides na cafeicultura foi detalhada em painel conjunto entre Oliveiro Guerreiro Filho (IAC) e Cláudio Marcelo Gonçalves de Oliveira (Instituto Biológico), abordando desde o diagnóstico de danos até o uso de porta-enxertos e cultivares resistentes para áreas infestadas.
Para saber mais sobre o 25º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, acesse: agricultura.sp.gov.br/cati/concurso-estadual-qualidade-do-cafe-de-sao-paulo.
Por Redação – Fonte: Juan Piva – Assessor de Imprensa – Serviço de Comunicação Rural


