Por terem audição muito mais sensível que a dos humanos, cães e gatos sofrem com os ruídos das festas e fogos de artifício. Saiba como amenizar o medo e evitar acidentes.
Os jogos de futebol costumam mobilizar torcedores em todo o país. No entanto, para os animais de estimação, os dias de partida podem se transformar em momentos de desespero, insegurança e muito estresse. Cães, gatos e pássaros sofrem profundamente com o barulho incessante de rojões, fogos de artifício e buzinaços. Esse excesso de barulho, somado à movimentação intensa nas casas e nas ruas, pode provocar graves crises de ansiedade e colocar a saúde dos pets em risco.
“Os pets possuem uma audição muito mais sensível do que a humana, o que faz com que sons altos e repentinos sejam percebidos com muito mais intensidade. Esses estímulos sonoros geram sofrimento emocional, pois eles associam os ruídos inesperados ao perigo”, explica Cintia Ghorayeb, especialista do Veros Hospital Veterinário.
Sinais de alerta e riscos à saúde
Os sinais de medo e ansiedade variam de acordo com o animal: alguns apresentam tremores, ofegação ou salivação excessiva. Enquanto uns se escondem embaixo de móveis em postura encolhida, outros ficam inquietos, vocalizam mais do que o normal ou tentam fugir.
“O estresse pode desencadear comportamentos agressivos, hipervigilância, perda de apetite, vômito e eliminação involuntária de fezes e urina. A saúde física também pode ser impactada, com aumento da pressão arterial, taquicardia, crises respiratórias e episódios convulsivos, especialmente em animais idosos ou com doenças cardíacas e neurológicas”, destaca Cintia.
Em pânico, os bichinhos podem ter reações inesperadas. Ao tentar fugir, muitos ficam presos em portas, portões e janelas, quebram objetos e acabam se cortando. Se conseguem escapar para a rua, há um risco real de atropelamentos e de comprometimento severo da audição, caso um rojão estoure muito próximo a eles.
Como o desconhecimento sobre a sensibilidade auditiva dos animais ainda é grande, listamos abaixo as principais recomendações da especialista Cintia Ghorayeb para garantir a segurança e o bem-estar do seu pet durante as comemorações.
Medidas de acolhimento e prevenção
- Prepare um ambiente seguro e silencioso Antes do início das partidas, o ideal é deixar o pet em um cômodo mais tranquilo da casa, longe da televisão em volume alto e do excesso de movimentação. Fechar portas, janelas e cortinas ajuda a reduzir tanto os ruídos externos quanto os flashes dos fogos.
- Use sons ambientes para abafar os barulhos externos Música suave, televisão em volume moderado, ventiladores ou aparelhos de ruído branco podem ajudar a mascarar os sons repentinos dos fogos e dos gritos de comemoração.
- Deixe o pet escolher onde quer ficar Muitos cães e gatos procuram espontaneamente locais menores e fechados para se sentirem protegidos. O tutor não deve tirar o animal do esconderijo, já que isso pode aumentar a sensação de insegurança. Também é fundamental deixá-los livres, sem prendê-los na coleira, o que evita enforcamentos.
- Mantenha objetos familiares por perto Cobertores, brinquedos e caminhas com o cheiro do próprio animal ou dos tutores ajudam a transmitir uma sensação de conforto e proteção nos momentos de maior estresse.
- Use produtos específicos para aumentar o conforto Alguns pets se adaptam bem ao uso de protetores auriculares específicos para animais ou ao uso de feromônios sintéticos (que podem ser liberados no ambiente por meio de um difusor elétrico).
- Evite deixá-lo sozinho A presença do tutor ajuda a tranquilizar o pet, principalmente nos momentos de maior agitação. Não se deve mostrar indiferença ao medo do animal, nem puni-lo ou forçar o contato físico. Apenas mantenha-se por perto. Se ele demonstrar abertura para interagir, tente desviar o foco com uma brincadeira, associando o barulho a uma atividade positiva.
- Reforce a segurança da casa para evitar fugas É indispensável verificar a tranca de portões, a firmeza de telas de proteção, portas e janelas antes do início dos jogos.
Quando buscar ajuda profissional
Em casos de medo extremo, o acompanhamento veterinário é fundamental. Alguns animais podem precisar de treinamento comportamental para a dessensibilização gradual a sons ou até mesmo de medicações específicas para o controle da ansiedade.
“O uso de calmantes nunca deve ser feito sem orientação profissional. Alguns medicamentos podem causar efeitos adversos importantes e apenas mascarar o sofrimento — impedindo o animal de se mover, por exemplo —, sem realmente reduzir o medo e o estresse psicológico”, alerta Cintia Ghorayeb.


