Mais um ciclo se fecha e as portas de 2026 se entreabrem. Existe, no ar, aquela euforia coletiva, uma crença quase mágica de que à meia-noite o mundo se reseta e os problemas se dissolvem com a fumaça dos fogos de artifício, que infelizmente alguns ainda não tem consciência do estrago que isso trás . Mas, se olharmos com a honestidade que a maturidade exige, perceberemos a grande verdade: a cronologia não opera milagres.
O ano, após o ano, é apenas uma sequência matemática. O sol que nascerá no dia 1º de janeiro iluminará exatamente a mesma pessoa que se deitou no dia 31 de dezembro, a menos que a mudança tenha acontecido do lado de dentro.
Muitos carregam a virada de ano como quem levanta um troféu, celebrando apenas por ter “sobrevivido” a mais um calendário. Mas de que vale o troféu do tempo se a atitude permanece enferrujada? A verdadeira conquista não é o tempo que passa por nós, mas o que fazemos com o tempo que nos é dado.
Para 2026, o convite não é para mudar de casa, de carro ou de aparência, mas para lapidar a alma. A verdadeira revolução é ser menos juiz e mais humano. Passamos tempo demais exigindo a perfeição do outro, apontando o cisco no olho alheio, enquanto ignoramos as traves que sustentam o nosso próprio olhar crítico. A perfeição não existe, e cobrá-la de quem amamos é a receita mais rápida para a frustração.
Precisamos resgatar a coragem da sinceridade afetuosa. O mundo está cheio de ruídos, de “falar mal para meio mundo”, de conversas de bastidores que minam a confiança. A evolução que buscamos exige que tenhamos a hombridade de olhar nos olhos e falar o que sentimos para a pessoa, e não sobre a pessoa. Isso é lealdade. Isso é limpar o terreno para que relações verdadeiras floresçam.
Que neste novo ciclo, possamos baixar a guarda das exigências descabidas. Que possamos acreditar mais na força fluida do universo e menos na nossa necessidade de controle. E, acima de tudo, que possamos praticar o autoamor — não o narcisista, mas aquele que nos preenche tanto que não nos sobra tempo nem vontade de julgar a vida alheia.
2026 não trará nada de novo se nós continuarmos velhos em nossas atitudes. O ano novo não é uma data. O ano novo somos nós.




