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Editorial- O Paradoxo de Janeiro: A Paz como Destino ou Ponto de Partida?

O calendário nos impõe uma celebração: 1º de Janeiro, o Dia Mundial da Paz. É poético que o ano comece...

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O calendário nos impõe uma celebração: 1º de Janeiro, o Dia Mundial da Paz. É poético que o ano comece sob essa bandeira, mas é, ao mesmo tempo, um convite ao autoexame. Como podemos brindar à paz se, poucas horas antes, o cenário era de excessos, desarmonia e o estrondo de fogos que ferem a sensibilidade de seres indefesos e o equilíbrio da natureza?

A paz que o mundo celebra no papel é, muitas vezes, apenas a ausência de guerra. Mas a paz real, aquela que deveria inaugurar o nosso ciclo, é a ausência de violência interna.

A Paz como Consequência, não como Acaso

Não se “encontra” a paz como quem acha uma nota de dinheiro na calçada. A paz é um edifício construído com os tijolos das nossas escolhas diárias. Se o início do ano é marcado pela bebedeira que altera a consciência e por discussões que rompem laços, a “paz” do dia seguinte é apenas um silêncio vazio, não uma conquista do espírito.

O Desafio da Coerência

Para que o Dia Mundial da Paz faça sentido, ele precisa deixar de ser um feriado e passar a ser um estado de prontidão.

  • Paz é respeito: É entender que a minha alegria na virada não pode ser o terror de um animal ou o sofrimento de um enfermo.
  • Paz é temperança: É saber celebrar sem se perder de si mesmo.
  • Paz é diálogo: É desarmar o coração antes de querer desarmar o mundo.

Questionar como se comemora a paz diante de atitudes humanas contraditórias é o primeiro passo para a mudança. Se queremos que o primeiro dia do ano seja, de fato, o Dia da Paz, precisamos manifestá-la primeiro em nossas mãos e palavras.

A paz não começa no calendário. Ela começa no exato momento em que decidimos que nossas atitudes serão o espelho do mundo que desejamos habitar. Que neste novo ano, a paz deixe de ser um desejo abstrato e se torne a nossa assinatura em cada ação.

Por Ivonete Schmitz

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