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Imagem Divulgação - Grupo Virta

Inclusão de meninas no esporte ainda enfrenta barreiras de gênero e exige novos espaços de incentivo

Projetos socioeducativos buscam ampliar participação feminina no futebol e fortalecer autoestima, autonomia e igualdade de oportunidades desde a infância O...

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Projetos socioeducativos buscam ampliar participação feminina no futebol e fortalecer autoestima, autonomia e igualdade de oportunidades desde a infância

O interesse das mulheres brasileiras por esportes cresceu 25% entre 2020 e 2025, superando o avanço registrado entre os homens no mesmo período, segundo o estudo Women and Sports 2026, do IBOPE Repucom. O número revela uma demanda real, mas também escancarou uma contradição: apesar do crescente interesse, meninas ainda encontram barreiras concretas para acessar e permanecer no esporte, afastadas por comentários preconceituosos, ausência de equipes femininas, estereótipos de gênero, gravidez na adolescência e pela chamada economia do cuidado. Desta forma, a sobrecarga de tarefas domésticas e o cuidado de irmãos e familiares que recai de forma desproporcional sobre as meninas, roubando o tempo e o espaço que poderiam ser dedicados ao esporte.

Historicamente associado ao universo masculino, o futebol ainda reproduz desigualdades presentes desde a infância. Enquanto meninos costumam ser incentivados a participar de atividades esportivas competitivas, meninas frequentemente recebem estímulos para brincadeiras consideradas mais “delicadas”, o que reduz suas oportunidades de experimentar diferentes modalidades e descobrir seus próprios interesses.

Para Ana Nery, especialista em inclusão e gênero da Plan International Brasil, organização que trabalha para romper ciclos de violências contra meninas, criar ambientes seguros e livres de limitações baseadas em gênero é fundamental para ampliar a participação feminina no esporte.

“Quando estimulam a curiosidade, respeitam as escolhas das meninas e oferecem diferentes possibilidades de desenvolvimento, as famílias contribuem para criar ambientes livres de limitações, ampliando o acesso ao futebol e a outras práticas esportivas e fortalecendo o direito das meninas de brincar, se desenvolver, participar, ocupar espaços e construir suas próprias trajetórias”, afirma.

Segundo a especialista, o incentivo vai além da prática esportiva. O esporte é uma excelente ferramenta para fortalecer habilidades como autoconfiança, liderança, trabalho em equipe e autonomia, além de contribuir para que meninas ocupem espaços tradicionalmente negados a elas.

A representatividade também tem papel essencial nesse processo. A presença de mulheres como atletas, treinadoras, árbitras e comentaristas ajuda a ampliar referências e mostra às meninas que o esporte também pode ser um espaço de pertencimento.

“Jogadoras, treinadoras e comentaristas mostram que é possível ocupar esses espaços e isso tem impactos na vida de todas as meninas, pois passam a se reconhecer nesse cenário e a acreditar que aquele lugar também pode ser seu, se assim desejarem”, destaca a especialista.

Garantir que meninas tenham contato com diferentes experiências esportivas desde cedo é uma forma de combater desigualdades. “Importa ainda que possam ter exemplos positivos na mídia e em seus contextos próximos para que possam vislumbrar uma amplitude maior de possibilidades de interesse”, explica.

Programa fortalece participação de meninas no esporte

Com o objetivo de estimular a autonomia, a autoestima e a participação de meninas em diferentes espaços, a Plan International Brasil desenvolve ações socioeducativas voltadas a adolescentes em escolas públicas de São Luís e Codó, no Maranhão, e Teresina, no Piauí.

O projeto Líderes da Mudança atende cerca de 2 mil adolescentes entre 12 e 17 anos e promove atividades que incentivam a prática esportiva e a reflexão sobre igualdade de gênero. Entre as iniciativas realizadas estão rodas de conversa com meninas e meninos, dramatizações, debates e exercícios de empatia, que buscam desconstruir normas de gênero e incentivar relações baseadas no respeito, no diálogo e na equidade.

A atuação também envolve meninos, considerando que a transformação dos ambientes esportivos depende da participação de todos. Segundo a organização, os padrões tradicionais de masculinidade também impactam os meninos e podem contribuir para a reprodução de desigualdades.

Não só as meninas, mas também os meninos sofrem pressões das normas de masculinidade hegemônica, que os impulsionam ao silenciamento emocional, ao uso da violência como forma de afirmação e à reprodução de desigualdades de gênero.

Além de promover o acesso das meninas ao esporte, iniciativas como essa buscam transformar a relação da sociedade com o futebol feminino, incentivando ambientes mais acolhedores e respeitosos para crianças e adolescentes.

A ampliação da participação feminina no futebol depende, portanto, de oportunidades, incentivo e mudanças culturais que comecem ainda na infância. Ao garantir que meninas possam jogar, competir e ocupar esses espaços, a sociedade contribui para construir um esporte mais diverso, inclusivo e representativo.

Sobre a Plan Brasil

Com cerca de 30 anos de atuação no país e presente em mais de 80 países ao redor do mundo, a Plan Brasil está comprometida em romper os ciclos de violências que afetam meninas, criando um futuro justo, seguro e equitativo para todas as pessoas. Com projetos sociais implementados no Maranhão, no Piauí, na Bahia e em São Paulo, e atuando em rede com o terceiro setor e movimentos sociais, a organização alcança todo o território nacional, inspirando e mobilizando a sociedade para transformar realidades, promovendo o protagonismo das meninas e fortalecendo suas vozes para que possam mudar a realidade ao seu redor, para que cresçam livres, seguras e respeitadas.

Em 2025, a organização recebeu o Prêmio Direitos Humanos, na categoria “Garantia dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes” em reconhecimento a atuação da organização na promoção de ações de defesa dos direitos das meninas

Agência Virta – Por Mariana França

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