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O Perigo da Memória Curta nas Escolhas do futuro do Brasil

A história política do Brasil é pontuada por ciclos de esperança e desilusão. Em um país marcado por profundas desigualdades,...

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A história política do Brasil é pontuada por ciclos de esperança e desilusão. Em um país marcado por profundas desigualdades, o povo brasileiro — historicamente carente de respeito, reconhecimento e melhorias concretas — frequentemente se vê vulnerável a discursos sedutores e promessas messiânicas. No entanto, quando a poeira das urnas baixar, o tom conciliador das campanhas costuma dar lugar ao controle rígido e ao esquecimento das demandas populares.

Para não repetirmos os mesmos erros da era Fernando Color de Melo, é fundamental exercitar o despertar da consciência crítica e olhar para os episódios que deixaram cicatrizes profundas na nossa democracia.

A ilusão das soluções fáceis não é uma novidade na política nacional. Em 1989, na primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar, Fernando Collor de Mello projetou-se como o jovem “caçador de marajás”, prometendo modernizar o Estado, conter a inflação e erradicar privilégios. Em um pleito acirrado contra Luiz Inácio Lula da Silva.

O desfecho dessa promessa, no entanto, foi catastrófico:

  • O Confisco e o Pavor Econômico (1990): Logo após a posse, em março de 1990, o Plano Collor I bloqueou cadernetas de poupança e saldos bancários acima de 50 mil cruzeiros. A medida paralisou a economia e destruiu a confiança da população.
  • A Crise e a Corrupção (1992): O governo ruiu diante de uma crise prolongada e denúncias graves. Em maio de 1992, Pedro Collor revelou o esquema de propinas e extorsão comandado pelo tesoureiro PC Farias, confirmado posteriormente pela CPI do Congresso.
  • A Resposta Popular e o Impeachment: A tentativa do governo de convocar a população para vestir verde e amarelo resultou no movimento dos Caras-Pintadas, que tomaram as ruas de preto exigindo sua saída. A pressão culminou na aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados (441 a 38) em setembro de 1992, na renúncia do presidente Fernando Color de Melo, em dezembro e na decretação de sua inelegibilidade por oito anos pelo Senado.

O resgate dessa memória serve como alerta para o cenário político que estamos vivendo agora, no qual o eleitorado volta a se deparar com propostas econômicas e políticas que exigem um olhar atento e questionador.

No centro desse debate, figuram candidaturas e lideranças ligadas ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro, que traz heranças preocupantes relacionadas ao seu pai. Analistas e cientistas políticos apontam incertezas relevantes no plano de governo e na postura apresentada por essa ala:”

  • Contas Públicas e Custo das Promessas: Há forte questionamento sobre como seria executada a revisão ou corte de despesas na ordem de R$ 250 bilhões para equilibrar as contas públicas, sem que sejam apresentadas explicações claras sobre a origem ou os impactos desses cortes.
  • Estilo de Atuação e Articulação: Enquanto o grupo político de origem manteve um tom de frequente confronto com o Congresso e o Judiciário, defensores do senador buscam apresentá-lo como um articulador moderado, criando um contraste de estilo dentro do próprio campo.
  • Reformas e Mudanças Constitucionais: Em declarações públicas, propostas como o fim da reeleição presidencial e alterações nas regras institucionais voltam ao debate, levantando dúvidas sobre a real necessidade e os desdobramentos de alterar a Constituição Federal.

Compreender o passado é o único caminho para proteger o futuro. A democracia brasileira e a Carta Constitucional de 1988 foram construídas com intensa luta para superar o período sombrio da ditadura e os abusos de poder econômico e político que se seguiram.

Diante do peso da história e dos riscos de propostas sem lastro, cabe ao cidadão cobrar transparência, exigir explicações detalhadas e rejeitar discursos populistas que prometem soluções fáceis para problemas complexos. O despertar da consciência popular é a verdadeira garantia contra este tenebroso retrocesso.

Por Ivonete Schmitz
Editora Chefe: Jornalista- MTB 54.748/SP

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