Com o anúncio das regras previsto para março, especialistas recomendam antecipar a organização de documentos para garantir restituição mais rápida e evitar a malha fina.
A temporada do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 já começou a movimentar os contribuintes. Embora o anúncio oficial das regras pela Receita Federal esteja agendado para o dia 16 de março, a orientação de especialistas é clara: a organização deve começar agora.
Em 2025, o volume de declarações superou 43 milhões. Desse total, a maioria (56,4%) teve imposto a restituir, enquanto 22,2% resultaram em imposto a pagar e 21,2% não apresentaram saldo. Para 2026, mesmo com as mudanças nas faixas de retenção na fonte, o compromisso de prestar contas permanece para quem se enquadra nos critérios de obrigatoriedade referentes ao ano-calendário de 2025.
Por que declarar cedo?
O professor de Contabilidade da FECAP, Tiago Slavov, enfatiza que a antecipação é a melhor estratégia. Além de reduzir o estresse de última hora, quem entrega primeiro entra nos primeiros lotes de restituição.
“Os contribuintes devem começar a separar os principais documentos, como informes de rendimentos, despesas médicas, instrução e comprovantes de bens”, afirma Slavov.
Checklist de Documentos Necessários
Para não esquecer nada, prepare uma pasta com:
- Rendimentos: Salários, pró-labore, aposentadoria, aluguéis e Nota Fiscal Paulista.
- Financeiros: Informes de contas bancárias, aplicações e posição de dívidas/empréstimos.
- Bens: Documentos de imóveis, veículos e saldos de criptomoedas.
- Deduções: Recibos de despesas médicas e de instrução (educação).
- Dependentes: CPF e informações de alimentandos.
- Histórico: Cópia da última declaração entregue.
Facilidades: A Declaração Pré-Preenchida
Uma das principais apostas para evitar erros é a declaração pré-preenchida. Ao utilizar essa funcionalidade, o sistema importa dados de empresas, estabelecimentos médicos e o histórico de anos anteriores.
Slavov ressalta que isso traz “maior tranquilidade”, mas alerta: a conferência final e a correção de eventuais erros são de responsabilidade exclusiva do contribuinte.
Atenção para não cair na “Malha Fina”
O cruzamento de dados da Receita Federal está cada vez mais sofisticado. Os erros mais comuns que levam à retenção da declaração (malha fiscal) são:
- Omissão de rendimentos: Esquecer de declarar uma fonte pagadora ou o rendimento de um dependente.
- Inconsistências em despesas médicas: Falta de comprovantes, valores divergentes ou indicação errada do beneficiário.
O preenchimento correto também ajuda o programa da Receita a sugerir o melhor modelo: Completo (com todas as deduções) ou Simplificado (com desconto padrão).
Pagamentos e Lotes de Restituição
Quem tem imposto a pagar pode quitar o valor em cota única (sem juros) ou parcelar em até 8 vezes. Já as restituições são pagas em cinco lotes, geralmente até setembro. Caso o contribuinte não receba o valor até o último lote, é um forte indício de pendências com o fisco.
O impacto da nova Isenção
Embora a Lei nº 15.270 tenha ampliado a faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000 mensais, é fundamental entender o cronograma:
- IRPF 2026 (Ano-calendário 2025): Ainda segue as regras anteriores.
- IRPF 2027 (Ano-calendário 2026): É neste momento que a redução da carga tributária sobre os rendimentos de até R$ 5 mil será efetivamente sentida na declaração anual.
Dica de Especialista: Em caso de dúvidas, consulte o site da Receita Federal, procure um profissional contábil ou busque atendimento nos Núcleos de Apoio Contábil-Fiscal (NAF), que oferecem suporte gratuito em diversas instituições de ensino pelo Brasil.
Redação Local- Fonte – FECAP – Assessoria de Imprensa


