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Foto: ONU Mulheres/Lianne Milton

Mulheres no Agro: Protagonismo feminino cresce 56% em uma década e já é maioria nas cadeias produtivas

Presença de engenheiras agrônomas triplicou desde 2000, e gestões de propriedades rurais ganham força na pecuária e na agricultura familiar,...

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Presença de engenheiras agrônomas triplicou desde 2000, e gestões de propriedades rurais ganham força na pecuária e na agricultura familiar, impulsionadas por inovação e técnica.

As mulheres estão cada vez mais consolidando a posição de protagonistas no agronegócio brasileiro e têm muitos motivos para comemorar no Dia Internacional das Mulheres Rurais, celebrado em 15 de outubro. O setor, tradicionalmente visto sob uma ótica masculina, passa por uma transformação profunda impulsionada pela alta qualificação técnica, pela gestão estratégica e pelo empreendedorismo feminino.

Apenas na profissão de engenharia agrônoma, o número de profissionais femininas no mercado cresceu 56% em 10 anos, duplicou em 20 anos e triplicou desde 2000, segundo levantamento do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Na virada dos anos 2000, as mulheres representavam de 8% a 10% dos registros ativos; hoje, essa faixa oscila entre 20% e 22% do total no país.

O reflexo dessa guinada também aparece nas salas de aula. Desde 2018, as mulheres passaram a ser maioria entre os estudantes que concluíram cursos relacionados ao setor, segundo o Censo de Educação Superior do Ministério da Educação. Em 2010, elas representavam 40% dos formandos em agricultura, silvicultura, pesca e veterinária, enquanto os homens somavam 60%. Em 2024, as mulheres alcançaram 54% das conclusões nesses cursos.

Gestão, Pecuária e Cadeias Produtivas

O estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro”, da Fundação IDH, aponta que 19% das propriedades rurais brasileiras são geridas por mulheres. Os números variam conforme o segmento: na pecuária, a gestão já é uma terço feminina, com mulheres liderando 33% dos estabelecimentos. Elas também comandam 22% das propriedades da cadeia do cacau, 18% dos citros, 17% da soja e 13% do café.

Para a engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil, Patrícia Cesarino, a mudança estrutural do campo exige novas lideranças. “A transformação do agronegócio passa pela transformação de quem decide. A mulher assume cada vez mais papel de protagonismo, participa das decisões, lidera negócios, impulsiona inovação e ajuda a definir os caminhos de um setor que está se tornando cada vez mais diverso e estratégico”, afirma.

No âmbito da agricultura familiar, o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam), do Ministério das Mulheres, mostra que das 1,1 milhão de pessoas atendidas pelo Pronaf em 2024, 38,5% eram mulheres, com destaque para a Região Nordeste, onde a participação feminina chegou a 50,4% dos beneficiários.

Histórias que inspiram o Campo

O avanço é costurado por trajetórias plurais que unem vocação, ciência e superação de desafios:

Natalya – Foto Arquivo Pessoal

Da advocacia ao tomate (Maranhão): A produtora rural Natalya Ferraz Rodrigues, uma das principais referências do agro na Região Nordeste, formou-se em Direito e chegou a advogar, mas rendeu-se à horticultura há três anos. Idealizadora do Dia D da Cultura do Tomate em Amarante do Maranhão, ela defende que a presença feminina deve vir acompanhada de autonomia e impacto real. “O campo me ensinou que agricultura é muito mais do que plantar e colher. É planejamento, tecnologia, gestão, persistência e coragem para recomeçar”, relata.

Adriana – Foto Arquivo Pessoal

Pesquisa de ponta na batata (Paraná): A pesquisadora, bióloga e doutora em agronomia Adriana Micheli, da G12 Agro Pesquisa e Consultoria Agronômica, destaca-se no estudo da cultura de batata — um nicho com poucos especialistas no país. Após 13 anos na Fundação ABC, ela ressalta que as mulheres trazem uma visão mais holística e detalhista para os desafios dinâmicos do agronegócio.

Manuela – Foto Arquivo Pessoal

Regulação e inovação (Ascenza Brasil): A engenheira agrônoma Manuela Hiromi de Holanda Dodo, especialista em regulamentação de insumos agrícolas, aponta que o agro atual é altamente técnico e aberto a diferentes perfis. “Ainda temos desafios, mas hoje vemos mulheres atuando em praticamente todas as áreas do agro, inclusive em posições de liderança e decisão”, pontua.

Visibilidade Institucional e o Futuro

Toda essa movimentação gerou uma forte onda de mobilização, resultando em redes organizadas de apoio, comissões femininas em sindicatos rurais e eventos de grande porte. Em 2026, a criação da Câmara Temática de Mulheres Rurais no Ministério da Agricultura consolidou essa pauta no eixo institucional do país.

Para o futuro, o desejo unânime entre produtoras, pesquisadoras e executivas é que falar sobre a mulher no agro deixe de ser novidade para se tornar uma realidade plenamente natural, garantindo que as novas gerações encontrem um campo cada vez mais inovador, inclusivo e preparado para alimentar o mundo.

Por Redação: Assessoria de Imprensa- Silvana Guaiume

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